As crianças nos obrigam a mudar a educação’, diz educador António Nóvoa

As crianças nos obrigam a mudar a educação’, diz educador António Nóvoa

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Reitor honorário e professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, o português António Nóvoa vê nas universidades brasileiras pouco compromisso com a formação de professores para a educação básica. Por conta disso, o sociólogo defende a criação de um “lugar institucional que assuma a responsabilidade de formar professores”. O pensador vai estar no sábado no Educação 360, realizado pelos jornais EXTRA e “O Globo”.

Qual é o problema central na formação dos professores?

O Brasil tem um sistema de formação de professores que precisa de alterações profundas. Por um lado, há um conjunto de boas universidades, sobretudo públicas, mas que não têm assumido um compromisso forte com a educação básica. Nelas, a formação de professores está muito fragmentada, entre diversas licenciaturas, lecionadas em diferentes institutos e faculdades, tornando impossível dar uma coerência à formação docente. Por outro lado, há uma realidade muito problemática que é a forma como se multiplicaram instituições privadas que, apesar de notáveis exceções, têm pouca qualidade e recorrem de forma muito generalizada e medíocre a cursos de educação à distância.

Como resolver?

Venho advogando a necessidade da criação de um “lugar institucional”, dentro das universidades, que assuma a responsabilidade de formar os professores. Neste “lugar”, deve haver também uma forte presença das escolas e dos professores, permitindo que os estudantes das licenciaturas se socializem profissionalmente desde o primeiro ano, isto é, eles vão adquirindo uma cultura profissional docente.

Qual é a proposta do senhor para a formação continuada?

A formação continuada não se faz através de cursos, de seminários ou de palestras nos quais os professores são bombardeados com todo tipo de fastfood, de receitas, de modas. Esses eventos até podem ter uma função de convívio entre os professores ou de contato com ideias e autores que marcam o campo docente. Mas não são formação continuada. A formação continuada se faz dentro da profissão, através de uma reflexão sobre a experiência e o trabalho docente, procurando as melhores soluções, os melhores caminhos, para a educação dos nossos alunos. Como é que trabalhamos? O que fazemos bem? Onde estão as nossas dificuldades? Como superá-las? O que precisamos fazer diferente? Como aprender com os outros? É nesta interrogação e no diálogo com nossos colegas que podemos encontrar uma formação continuada baseada na cooperação e na criação. Isto é, numa reflexão e pesquisa sobre o trabalho docente.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/educacao/educacao-360/as-criancas-nos-obrigam-mudar-educacao-diz-educador-antonio-novoa-20148540.html#ixzz4L1zLxEhs

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